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Brasil é o 3º país mais atacado por ransomware do mundo em junho: o que mudou

Em junho o Brasil foi o 3º país mais atacado por ransomware do mundo. Entenda a fragmentação RaaS e a falha de MFA em VPNs.

Brasil é o 3º país mais atacado por ransomware do mundo em junho: o que mudou
FP IT Solutions26 de julho de 2026 4 min

Em junho o Brasil foi o 3º país mais atacado por ransomware do mundo. Entenda a fragmentação RaaS e a falha de MFA em VPNs.

Publicamos aqui no blog, em 19 de julho, um alerta sobre o Brasil entrar na lista dos 10 países mais atingidos por ransomware em 2026. Uma semana depois, os números pioraram — e de um jeito específico que muda a forma como sua empresa deveria pensar o risco. Não é mais "existe uma gangue grande de olho no Brasil". É um mercado inteiro de grupos pequenos brigando por vítimas, e a porta de entrada mais comum continua aberta na maioria das empresas.

Brasil sobe ao 3º lugar do ranking mundial em junho

Segundo dados da plataforma Ransomware.live — projeto do pesquisador Julien Mousqueton, CISO de campo da Cohesity, que monitora continuamente os sites de vazamento mantidos pelos próprios grupos de ransomware — o Brasil registrou 23 ataques de ransomware em junho de 2026. Isso colocou o país em 3º lugar no ranking mundial do mês, atrás apenas de Estados Unidos (199 casos) e Alemanha (49), e à frente de Reino Unido (21), Índia e Canadá (20 cada).

É a primeira vez que o Brasil aparece entre os dez países mais afetados desde que a plataforma começou a publicar dados, em janeiro de 2026. Segundo Gustavo Leite, VP da Cohesity para a América Latina, o movimento reflete uma estratégia deliberada de grupos criminosos por jurisdições com menor maturidade de resposta a incidentes e de articulação com as forças de segurança — não um pico isolado.

O quadro acumulado do ano confirma a tendência: entre janeiro e o início de julho de 2026, o Brasil somou 99 ataques de ransomware, segundo levantamento da Vision Cybersecurity (spin-off da ISH Tecnologia). Esse volume já equivale a 67% de tudo que o país registrou em 2025 inteiro (147 casos) — no ritmo atual, 2026 deve superar o ano anterior com folga. Na América Latina, o Brasil lidera isolado, concentrando 36,3% dos 273 ataques mapeados na região no período, à frente de México (67), Argentina (31) e Colômbia (29).

De uma ou duas gangues para um mercado fragmentado

O post anterior já mencionava o cenário geral de ransomware no Brasil. O que ficou mais claro agora é a estrutura por trás dos números: não existe mais um ou dois grupos dominantes concentrando os ataques. O levantamento da Vision Cybersecurity mapeia o LockBit 5 na liderança, com 19 vítimas no Brasil no período — mas logo atrás vêm TheGentlemen (15 vítimas), Incransom (7) e CoinbaseCartel (6), todos ganhando participação relevante.

Esses quatro grupos operam no modelo Ransomware-as-a-Service (RaaS): a gangue "dona" da ferramenta de criptografia loca o software para afiliados, que executam os ataques e dividem o resgate. É um modelo de franquia do crime — e como qualquer franquia, ele se multiplica rápido. Quanto mais grupos disputando o mesmo tipo de vítima, menor o padrão de sofisticação necessário pra um ataque dar certo, e maior a chance de qualquer empresa — não só grandes corporações — virar alvo por oportunidade, não por perfil estratégico.

Na prática, isso significa que a pergunta "somos relevantes o suficiente para atrair um grupo de ransomware" deixou de fazer sentido. Com dezenas de operações RaaS ativas simultaneamente, a seleção de alvos é cada vez mais automatizada e oportunista.

A lacuna mais explorada agora: VPN sem MFA

As táticas em alta em 2026, segundo os mesmos levantamentos, são a dupla extorsão (roubo de dados combinado com criptografia, ameaçando vazamento público mesmo se o resgate for pago), o abuso de credenciais corporativas vazadas em bases já expostas na internet, e a invasão de VPNs sem autenticação multifator (MFA).

Esse último ponto merece atenção prática: uma VPN corporativa sem MFA transforma qualquer senha vazada — mesmo uma senha "razoável" — na chave de entrada completa para a rede interna. Não é uma falha exótica, é a configuração padrão de muita empresa pequena e média no Brasil, que trata a VPN como um detalhe de infraestrutura já resolvido e nunca revisita.

O que fazer esta semana

Três ações concentram a maior redução de risco proporcional ao esforço:

  • Ativar MFA em toda VPN e acesso remoto — se sua empresa tem VPN sem segundo fator hoje, essa é a lacuna mais provável de ser explorada primeiro.
  • Auditar credenciais vazadas: verificar se e-mails corporativos aparecem em vazamentos conhecidos e forçar troca de senha onde houver exposição.
  • Manter backup offline e testado, desconectado da rede principal — como um HD externo dedicado a rotina de backup, que ransomware não consegue criptografar porque não está acessível pela rede no momento do ataque.

Nenhuma dessas medidas exige orçamento de grande empresa. Exige rotina — e é exatamente a ausência de rotina que os números de junho estão expondo.

Fontes

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