Por que seu SSD e sua memória RAM ficaram mais caros em 2026
Datacenters de IA estão disputando os mesmos chips de memória do seu notebook, e isso já pesa no seu bolso.
Datacenters de IA estão disputando os mesmos chips de memória do seu notebook, e isso já pesa no seu bolso.
Componentes de memória, RAM e os chips NAND usados em SSDs e cartões de memória, estão em um dos períodos de alta mais acentuados da história recente da eletrônica de consumo. Se você foi orçar um upgrade de notebook ou trocar o HD por um armazenamento mais rápido nos últimos meses e levou um susto com o preço, não é impressão sua. E a causa não está na loja onde você compra, nem no câmbio: está nos datacenters que treinam modelos de inteligência artificial.
O gatilho: a Sony parou de vender cartão de memória
Em março de 2026, a Sony suspendeu quase todos os pedidos de cartões de memória SD e CFexpress, tanto para o mercado japonês quanto internacional. A justificativa oficial foi direta: escassez global de semicondutores, puxada pela demanda por chips de memória para inteligência artificial. A empresa não deu prazo para retomar os pedidos.
O caso da Sony virou símbolo porque é um fabricante grande, mas o problema é da cadeia inteira. Fotógrafos e produtores de vídeo relataram aumentos de até 300% em cartões de memória de alta performance, e a escassez já é discutida como fator que pode atrasar até o lançamento de consoles de nova geração.
Por que a IA compete com o seu notebook pelo mesmo chip
RAM e NAND flash (a memória "de guardar arquivo" dentro de um SSD) não são fabricadas sob medida para cada produto. As mesmas linhas de produção que fazem o pente de memória do seu computador também fazem os módulos de altíssima capacidade usados em servidores de IA, como a chamada memória de alta largura de banda (HBM), essencial para treinar e rodar grandes modelos de linguagem.
Como esses módulos voltados a datacenter têm margem de lucro muito maior, fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron estão realocando capacidade de fábrica para atender aos grandes provedores de nuvem. Sobra menos linha de produção para RAM e NAND de uso comum. Estimativas do setor indicam que os datacenters de IA já consomem algo perto de 70% da produção de memória de ponta em 2026, contra uma fatia de 20% a 30% havia poucos anos.
Os números por trás da alta
A consultoria TrendForce revisou para cima, em várias janelas de 2026, suas projeções de preço de memória: contratos de DRAM chegaram a subir entre 90% e 95% em um único trimestre, e o NAND flash usado em SSDs teve altas na faixa de 55% a 75% no mesmo período. Ao longo do ano, o preço de RAM acumulou alta de quase 90%, com o DRAM chegando a subir mais de 170% na comparação anual. Analistas já batizaram o fenômeno de "chipflation": um salto estrutural de preço, não um ciclo passageiro do setor.
O efeito chegou às prateleiras. Notebooks e smartphones ficaram visivelmente mais caros neste ano, e empresas como a Microsoft já atribuem parte relevante do aumento de custos operacionais diretamente ao preço mais alto de chips de memória.
O que isso muda na prática para quem compra
Para uma pequena empresa comprando notebooks novos ou fazendo upgrade de máquina antiga, o recado prático é simples: quem precisa trocar armazenamento ou ampliar memória deveria planejar a compra com mais antecedência e comparar preço com atenção redobrada, sem deixar para última hora. Prazos de entrega também têm sido afetados, já que a prioridade de fábrica vai para quem compra em volume de datacenter. Um SSD comum de notebook, por exemplo, hoje custa mais e às vezes demora mais para chegar do que custava e demorava há um ano.
Análises mais recentes, de meados de 2026, mostram que a alta começa a perder um pouco de força porque o consumidor final está no limite do que consegue pagar. Isso não significa queda de preço, e sim desaceleração do ritmo de aumento. A pressão de fundo, vinda da demanda de IA, continua.
Quando isso deve normalizar
Não tão cedo. Fabricantes e analistas de mercado projetam que a expansão relevante de capacidade de fábrica só deve aparecer entre o fim de 2027 e 2028, já que construir e qualificar uma nova linha de produção de memória leva anos. Até lá, o cenário mais provável é de preço elevado e oferta apertada persistindo, com o mercado de IA sendo ao mesmo tempo o motor da inovação em tecnologia e o principal responsável por deixar o hardware do dia a dia mais caro.
Referências
Gadget Review: Sony Suspends Nearly All Memory Card Orders, Blaming AI-Driven Chip Shortage Tom's Hardware: Sony freezes memory card orders in Japan amid growing storage crisis TrendForce: AI Server Demand to Drive Memory Contract Price Increases in 2Q26 Tom's Hardware: Memory price surge begins to cool as consumers hit affordability limit Outlook Business: Chipflation Explained: How AI's Memory Appetite Is Driving Up the Cost of Phones and PCs
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