IBM anuncia chip sub-1 nanômetro: em vez de encolher, a solução é empilhar
IBM revela chip de 0,7 nm com quase 100 bilhões de transistores empilhados em 3D, resposta ao limite físico da miniaturização.
IBM revela chip de 0,7 nm com quase 100 bilhões de transistores empilhados em 3D, resposta ao limite físico da miniaturização.
Em 25 de junho de 2026, a IBM anunciou o que descreve como a primeira tecnologia de chip "sub-1 nanômetro" do mundo. Não é um produto à venda, mas uma demonstração de pesquisa que ataca um problema que a indústria de semicondutores vem arrastando há quase duas décadas: os transistores estão chegando a um tamanho em que simplesmente não dá mais para encolher.
O que foi anunciado
A tecnologia opera no nó de 0,7 nanômetro, o equivalente a 7 angstroms, e usa uma arquitetura batizada de "nanostack". Em vez de continuar reduzindo transistores em duas dimensões, como a indústria fez por décadas, a IBM passou a empilhá-los verticalmente, em um processo chamado integração sequencial 3D. As camadas são unidas por um dielétrico ultrafino, e o resultado é um chip do tamanho de uma unha com cerca de 100 bilhões de transistores, quase o dobro da densidade do chip de 2 nanômetros que a própria IBM apresentou em 2021.
Segundo a empresa, a nova arquitetura entrega até 50% mais desempenho ou até 70% mais eficiência energética em relação à geração de 2 nm, além de um ganho de 40% na densidade de memória SRAM embarcada. Jay Gambetta, diretor da IBM Research, afirmou que a inovação "dá continuidade à liderança da IBM em tecnologias de próxima geração e estabelece as bases para a próxima era da computação".
Por que empilhar, e não só encolher
Por muito tempo, a evolução dos chips seguiu a Lei de Moore: a previsão, formulada por Gordon Moore em 1965, de que o número de transistores em um chip dobraria a cada cerca de dois anos. Na prática, isso significava fazer os transistores cada vez menores. O problema é que, quando os componentes se aproximam do tamanho de poucos átomos, efeitos da mecânica quântica, como o tunelamento de elétrons, passam a atrapalhar o funcionamento do próprio transistor. Por isso a Lei de Moore vem sendo declarada "morta" por executivos do setor, entre eles o CEO da Nvidia, Jensen Huang, ainda em 2019.
O nanostack é uma resposta a esse impasse. Em vez de insistir em encolher ainda mais os transistores no plano horizontal, a IBM os empilha em camadas verticais, de forma escalonada, não uma exatamente sobre a outra, para simplificar a fiação entre elas. É uma mudança conceitual: a densidade continua aumentando, mas o caminho para chegar lá deixa de ser "menor" e passa a ser "mais alto". A IBM projeta que essa abordagem ainda tem pelo menos uma década de capacidade de escalonamento pela frente.
O desafio de fabricação não é trivial. Como as camadas são construídas uma sobre a outra, um defeito em qualquer uma delas compromete o chip inteiro, o que eleva o custo de produção. Há também o chamado "orçamento térmico": o processo de manufatura precisa se manter abaixo de 400°C para não danificar as conexões já construídas nas camadas inferiores, um limite que a IBM diz ter superado, sem detalhar como.
O elo com o consumo de energia da IA
A ênfase da IBM em eficiência energética, e não só em desempenho bruto, não é coincidência. O consumo elétrico de data centers vem disparando por causa da demanda de cargas de trabalho de inteligência artificial: segundo o Gartner, o consumo global de eletricidade por data centers deve saltar de 447 terawatt-hora em 2025 para 565 terawatt-hora em 2026, alta de cerca de 26%. A Agência Internacional de Energia também aponta a IA como o principal motor desse crescimento.
Nesse contexto, um ganho de até 70% em eficiência energética por chip tem peso direto sobre a conta de luz e sobre a viabilidade dos data centers que treinam e rodam modelos de IA. Gambetta chegou a declarar que espera ver chips com nanostack amplamente usados em data centers, ajudando essas instalações a gerenciar melhor seu consumo de energia.
Pesquisa de longo prazo, não produto de prateleira
Isso é ciência de ponta, não um componente que vai aparecer em um computador ou celular tão cedo. A IBM estima que a produção em escala comercial da tecnologia nanostack só deve começar daqui a cerca de cinco anos, por volta de 2031, e mesmo assim por meio de parcerias com fabricantes de semicondutores. Resta ainda demonstrar que o processo funciona com alto rendimento (poucos defeitos), qualidade duradoura e custo competitivo em produção real, passos que separam qualquer demonstração de laboratório de um produto vendável.
Ainda assim, o anúncio marca um ponto de virada conceitual no debate sobre o futuro dos chips: quando a miniaturização em duas dimensões esbarra na física, a indústria começa a construir para cima.
Referências
IBM Newsroom: IBM Debuts World's First Sub-1 Nanometer Chip Technology MIT Technology Review: IBM has unveiled chip technology that could help extend Moore's Law another decade IBM Research: What is IBM's nanostack chip architecture? Gartner: Data Center Electricity Demand to Grow 26% in 2026 Wikimedia Commons: Silicon wafers.jpg (ArticCynda, CC0)
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