Por que hardware ainda é quase metade do investimento em TI no Brasil
Hardware representa 47,9% do investimento em TI no Brasil, mais que software e serviços somados. Entenda o motivo e quando renovar o parque.
Hardware representa 47,9% do investimento em TI no Brasil, mais que software e serviços somados. Entenda o motivo e quando renovar o parque.
Quando se fala em investimento em tecnologia, a imagem que vem à cabeça costuma ser software: sistemas, nuvem, licenças, IA. Mas os números do mercado brasileiro de TI contam outra história. Segundo levantamento da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software), em 2025 o hardware respondeu por 47,9% de todo o investimento em TI no Brasil, mais do que software (32,1%) e serviços (20%) somados. Isso vai além de um detalhe estatístico: mostra como as empresas brasileiras ainda lidam com equipamento.
Por que hardware puxou tanto o crescimento
Parte da explicação é conjuntural. O hardware, que historicamente crescia menos de 5% ao ano, saltou cerca de 20% em 2025, um salto ligado diretamente à onda de investimentos em inteligência artificial, que exige infraestrutura pesada: servidores, data centers, placas e equipamentos capazes de rodar cargas de IA. Grandes empresas e provedores de nuvem estão comprando hardware em volume para sustentar essa demanda, e isso puxa a média nacional para cima.
Mas essa não é a explicação completa, e é aqui que a análise fica mais interessante pra quem não é uma gigante de tecnologia. Junto com o boom de infraestrutura de IA, existe um segundo fenômeno, mais silencioso: um estoque represado de renovação de equipamento em empresas comuns, comércio, indústria, prestadoras de serviço, que adiaram trocas de notebook, servidor e rede por anos.
O parque de máquinas defasado é a norma, não a exceção
No Brasil, o ciclo de renovação de hardware costuma ser mais longo do que o recomendado pelos fabricantes. Câmbio, juros e a cultura do "não quebrou, não troca" fazem empresas esticarem a vida útil de notebooks e servidores muito além do ponto ideal, em muitos casos, cinco, seis, sete anos de uso contínuo, quando o ciclo saudável giraria em torno de três a quatro anos para estações de trabalho e um pouco mais para servidores, dependendo da carga.
O problema é que esse adiamento tem custo, só que ele aparece disfarçado: produtividade mais baixa, mais chamado de suporte, mais tempo parado, maior exposição a falha de segurança em sistema que não recebe mais atualização adequada porque o hardware não aguenta. É custo que não entra numa linha de orçamento chamada "hardware", mas sai do bolso da empresa todo santo mês, só que em outra conta.
Quando o mercado nacional mostra quase metade do investimento em TI concentrado em equipamento, isso é, em parte, reflexo de um país inteiro empurrando pra frente uma conta que deveria ter sido paga antes. A pauta de IA acelera esse número lá em cima, nas grandes corporações e data centers. Embaixo, nas PMEs, o motivo de comprar hardware continua sendo mais prosaico: a máquina não aguenta mais.
O que isso sinaliza pra quem está decidindo renovar
Se a sua empresa está adiando a troca de notebooks, servidor ou parte da rede há algum tempo, o dado da ABES é um bom gatilho pra parar e olhar pro próprio parque com outros olhos. Alguns sinais que costumam indicar que já passou da hora:
- Notebooks com mais de 4-5 anos de uso intenso, especialmente se já não seguram uma jornada de trabalho sem estar na tomada, ou travam com múltiplas abas e aplicativos abertos.
- Servidor fora de garantia estendida, sem peça de reposição fácil no mercado, ou rodando sistema operacional que já não recebe atualização de segurança.
- Rede (switches, roteadores, cabeamento) instalada há mais de 5-6 anos, que não acompanha o crescimento do número de dispositivos conectados nem as exigências de banda do dia a dia.
- Aumento perceptível de chamados de suporte relacionados a lentidão, travamento ou falha de hardware, sintoma clássico de equipamento no fim da vida útil.
- Dependência de um único equipamento crítico sem redundância, cujo tempo de reposição em caso de pane seria de dias, não de horas.
Nenhum desses pontos, isoladamente, obriga a trocar tudo de uma vez. Mas quando dois ou três aparecem juntos, o cálculo muda: o custo de continuar operando no equipamento antigo, em produtividade, risco e suporte, costuma já ter ultrapassado o custo de renovar.
Planejamento vale mais que decisão de última hora
O problema raramente é deixar de renovar. É fazer isso de forma reativa, só quando o equipamento quebra de vez e a operação para. Um plano de renovação com prioridades claras (o que troca primeiro, o que aguenta mais um ciclo, o que precisa de redundância) custa menos, no fim das contas, do que trocar tudo às pressas depois de um problema. Diagnóstico e renovação de parque, notebooks, servidores, infraestrutura de rede, é uma das frentes em que a FP IT Solutions atua com clientes justamente para tirar essa decisão do modo emergência e colocá-la num cronograma que faz sentido pro caixa da empresa.
O dado de que quase metade do investimento em TI do país ainda é hardware não é motivo pra correr e trocar tudo amanhã. É um lembrete de que, num mercado que já sinaliza desaceleração para os próximos anos, quem mantém o parque de máquinas em dia gasta menos surpresa e mais previsibilidade.
Referências
ABES: Mercado de TI no Brasil cresce 18,5% em 2025, e País segue líder na América Latina
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