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Brasil entre os 10 países mais atingidos por ransomware em 2026: o que sua empresa pode fazer

Brasil entrou no top 10 mundial de ransomware no 1º tri de 2026. Entenda os motivos e as medidas práticas para reduzir o risco.

Brasil entre os 10 países mais atingidos por ransomware em 2026: o que sua empresa pode fazer
FP IT Solutions19 de julho de 2026 4 min

Brasil entrou no top 10 mundial de ransomware no 1º tri de 2026. Entenda os motivos e as medidas práticas para reduzir o risco.

O Brasil entrou para a lista dos dez países mais atingidos por ransomware no primeiro trimestre de 2026, segundo levantamento da Check Point Software. O país concentrou 2% das vítimas identificadas globalmente em um período em que 2.122 organizações tiveram dados expostos em plataformas de extorsão: o segundo maior volume já registrado para um primeiro trimestre. É a confirmação de uma tendência que já vínhamos acompanhando de perto em clientes aqui em Teresópolis e região, não um dado isolado nem azar pontual. Vale entender por que isso acontece e, principalmente, o que dá pra fazer a respeito.

Por que o Brasil virou alvo tão frequente

Existem alguns fatores que se somam. O primeiro é puramente estatístico: o Brasil é a maior economia da América Latina, com um parque enorme de empresas conectadas, de multinacionais a pequenos negócios que dependem de sistema de gestão, e-commerce ou prontuário eletrônico para funcionar. Quanto maior a base de alvos possíveis, maior a chance de aparecer no radar de grupos criminosos que operam em escala.

O segundo fator é a maturidade desigual em segurança. Grandes empresas brasileiras investem pesado em proteção, mas a imensa maioria do tecido econômico é formada por pequenas e médias empresas, que muitas vezes ainda tratam segurança da informação como gasto opcional, não como parte da operação. Isso cria um contraste que os atacantes exploram: o mesmo país tem alvos de alto valor (dados, faturamento) e defesas de baixo custo para quebrar.

Há também um movimento específico do cenário criminoso em 2026: o mercado de ransomware está mais consolidado, com menos grupos ativos, porém mais estruturados. Os dez principais grupos hoje concentram 71% de todas as vítimas globais, sinal de que quem sobrou é profissional, tem infraestrutura própria e opera como negócio. O grupo Qilin lidera o ranking global pelo terceiro trimestre seguido. E o LockBit, que vinha sob forte pressão internacional (com apreensões de infraestrutura e prisões de operadores), voltou a crescer em 2026 e passou a diversificar geograficamente sua atuação, mirando justamente países como Brasil, Itália e Turquia, provavelmente buscando mercados onde a resposta policial e a maturidade defensiva ainda são mais fracas do que nos EUA e Europa Ocidental.

O que é ransomware, na prática

Vale desfazer um mal-entendido comum: ransomware não é só "um vírus que trava o computador". É um modelo de negócio criminoso com duas etapas.

Primeiro, o sequestro: o atacante invade a rede (geralmente por uma senha fraca, um sistema desatualizado ou um funcionário que clicou onde não devia), se movimenta internamente até achar os dados mais valiosos e criptografa tudo: servidores, backups acessíveis, estações de trabalho. A empresa perde acesso aos próprios arquivos.

Segundo, a extorsão dupla: antes de criptografar, o grupo já copiou os dados para fora. Então a cobrança vem em duas frentes: pague para destravar os arquivos, e pague de novo para que os dados roubados (contratos, dados de clientes, informações financeiras) não sejam publicados ou vendidos. É por isso que "eu tenho backup, não preciso pagar" só resolve metade do problema: se os dados vazaram, o estrago à reputação e à LGPD já está feito, com ou sem backup.

O que uma pequena ou média empresa pode fazer de concreto

Nenhuma dessas medidas é sofisticada ou cara a ponto de ser inviável para um negócio de porte médio. O problema raramente é falta de solução, é falta de prioridade.

Backup isolado (offline ou imutável). Backup que fica na mesma rede, sempre conectado e acessível pelas mesmas credenciais do resto do sistema, é o primeiro alvo do ataque: grupos de ransomware sabem procurar e destruir backups antes de criptografar o resto. O backup que realmente salva é o que fica fora do alcance: em um destino separado, com credenciais próprias, e idealmente com retenção imutável (que nem um administrador comprometido consegue apagar).

Atualização de sistemas. Boa parte das invasões começa por uma vulnerabilidade conhecida e já corrigida havia meses, em servidor, firewall, VPN ou sistema operacional que ninguém atualizou. Manter um calendário de patches, mesmo que simples, mesmo que mensal, fecha a porta de entrada mais usada.

Treinamento de equipe. O phishing continua sendo a porta de entrada mais barata para o atacante, porque explora pessoas, não tecnologia. Treinamento não precisa ser complexo: simulações periódicas de phishing, orientação clara sobre como verificar um link ou anexo suspeito, e um canal fácil para o funcionário reportar "acho que cliquei em algo errado" sem medo de punição.

Segmentação de rede. Se um único usuário comprometido consegue acessar todos os servidores da empresa, um ataque bem-sucedido em qualquer ponto vira um desastre total. Separar a rede em segmentos (financeiro, operacional, convidados, dispositivos IoT) e restringir permissões pelo princípio do menor privilégio limita o tamanho do estrago quando (não se) algo for comprometido.

Nenhuma empresa é pequena demais para ser alvo. Os grupos de ransomware de hoje operam em escala industrial, automatizando a varredura por vulnerabilidades em milhares de redes ao mesmo tempo: eles não escolhem a vítima pelo tamanho, escolhem pela porta que está aberta. A boa notícia é que as quatro medidas acima, bem implementadas, eliminam a maior parte das portas mais fáceis de abrir.

Referências

IT Forum: Brasil entra na lista dos países mais afetados por ransomware no início de 2026

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